Residir: Fúria e Colmilho

Entrevista a Jimena Andrade, gestora do projeto ‘Fúria y Colmilho’ (‘Furia y Colmillo’).

Por: Tania Fuentes*. Tradução: Ana Tomimori

Através da voz da artista colombiana Jimena Andrade conheceremos a experiência do Projeto “Furia y Colmillo”, conformado pela artista e Santiago Andrade Moreno, o qual teve seu inicio no ano de 2014 em Guasca, Cundinamarca (Colômbia). Guasca é um nome de um lugar de origem “muisca”, povo indígena localizado no planalto central do país na chegada dos conquistadores, composto de dois vocábulos: gua ‘serra’ e shuca ‘saia’. Então que ali, na saia da serra aconteceram os seguintes feitos e aprendizagens. Este processo foi se desenvolvendo  por mais de sete anos, e foi escolhido por ser uma experiência icónica que combina a produção agroecológica com produtos, processos e reflexões no campo da arte.

Tania Fuentes: Como nasce “Furia y Colmillo”? Quem iniciou o processo? Quais foram as motivações?

Jimena Andrade: “Furia y Colmillo” é um projeto de auto-gestão cotidiana, nasce depois de um processo trabalhando como guardiã de sementes em uma horta comunitária e agroecológica em Bogotá. Fomos viver em Guasca, Cundinamarca. Compramos duas vaquinhas e começamos a fazer o que fazem as pessoas com o leite. A gente se deu conta da dinâmica do agronegócio e seus efeitos. Decidimos transformar o leite para fazer uma espécie de  resistência a essas industrias e processadores de lácteos. Fazíamos queijos e iogurtes e vendíamos em Bogotá. Esses produtos eram dispositivos pedagógicos que permitiam enunciar as diferenças que existem no consumo de um derivado de una indústria láctica e um derivado de um produto artesanal feito por nós mesmos.

Isso nos mostro a importância de entender um processo de auto-gestão em todas as esferas da cadeia de produção, que inclui também o consumidor. E permite pensar o que nós estamos  apoiando no momento de comprar estes processos. Em “Furia y Colmillo” também tínhamos uma horta agroecológica, compostagem, húmus de minhoca californiana, duas cabritas. No final do projeto já éramos mais sofisticados na produção, fazíamos queijo fresco de cabra e vaca, queijo feta, queijo tipo mozarela e iogurtes de cabra e vaca.

Santiago Andrade Moreno, mestre queijeiro, membro do projeto “Fúria y Colmillo”.


Imagens concedida por Furia y Colmillo. Projeto interferencia-co.net

TF: Qual foi o contexto em que vocês chegaram? Como foi o processo para que vocês se sentissem parte do território?

Essa pregunta é importantíssima, tendo em conta que ao chegar de Bogotá a gente pode ser um agente da gentrificação, conflituoso e as vezes até perigoso; na medida em que se pode pensar que a gente vai tirar as oportunidades, o simplesmente por ser um estranho. Foi difícil, alguns camponeses são muito conservadores e preferem ao coronel ou o fazendeiro que os explora. As dinâmicas de trabalho coletivo foram difíceis de criar. Tentamos, e tentamos, e finalmente conseguimos fazer vínculos com jovens e famílias que tinham formação política e processos ideológicos similares aos nossos. O camponês não é romântico, é complexo, é muito machista. Eu vivia ali com meu filho, e era digamos a cabeça do projeto. Sou mulher e para que um camponês te escute e trate em termos de igualdade é difícil.

TF: Como definiria o espaço de criação de “Furia y Colmillo”? Qual é o vínculo deste processo com a arte?

A gente poderia pensar que os produtos que ali realizávamos não tem nada a ver com a arte. Me lembro uma vez em uma conferencia onde levei meus queijos, e começava a fala vendendo meus queijos. Não pela performance, senão porque meus queijos eram um dispositivo pedagógico para poder entender processos de auto-gestão. Eram dinâmicas que me faziam entender as distintas formas de produção e como a gente também se apropriava das formas de produção que não tinham a ver com o que se lê como arte.

Fazíamos uma série de dinâmicas pedagógicas tomando como pretexto a vida no campo, a plantação, e isso resultava em objetos que a gente pode ler como artísticos: vídeos, diagramas, panfletos, folhetos. Eram pretextos pedagógicos para poder pensar nossa prática artística em distintos cenários, não somente como produtores estéticos que circulam na lógica do mercado da arte. São outras aberturas pedagógicas de resistência, que vinculam outros atores que não são necessariamente do campo artístico. Por exemplo, pessoas que resistem ao agronegócio, nas lutas camponesas. Toda a problemática com a que agora me vinculo perto da implementação dos acordos de paz, claramente vem daí, dos acordos que negam direitos no campo, isso em 80% dos acordos de paz na Colômbia.

TF: Qual é a contribuição diferencial que trouxe o projeto no território?

O que eu fiz no espaço foi aprender. A gente gera espaços de vínculo, de coisas (…) Mas me encontrei com muita gente organizada e muito agilizada. O artista  não é o que resolve, temos que resolver nossa própria vida porque estamos fodidos pelo capitalismo. O que serve a todos e a todas é compreender que estamos sendo atravessados por estas formas de poder e atuar em nossas contradições, porque pelo contrário a gente se paralisa. Não é tanto o que eu vou resolver no território senão como vou mediar as contradições que me aparecem.

TF:  Qual é o enfoque por onde se abordam os processos criativos em “Furia y Colmillo” e de que se tratam?

Eu podia pensar que isso é produtivismo de outra maneira, atualizando as dinâmicas das lutas camponesas. É um pouco pensar: Como se produz no campo da arte? Que se produz? Como se ativam outros tipo de processos que não necessariamente se leem como arte? Como se interpretam os produtos de reflexão a partir desses dispositivos que não necessariamente se materializam? Estes queijos, estes iogurtes, estes derivados são dispositivos pedagógicos e a partir de ai se vinculam ao campo da arte.

TF: Como você vê a relação do campo com a cidade a partir da sua experiência em “Furia y Colmillo”?

Aprendemos sobre a temporalidade. A concepção do tempo da ruralidade responde a outras lógicas. A gente pode ter essa informação de forma mas até que essa aprendizagem não atravesse o corpo não chegamos a compreender completamente. Essa ideia de que o campo não esta atravessado pelo capitalismo, que a cidade esta de um lado e o campo de outro, é mentira. A cidade e o campo são o mesmo em termos de dinâmica capitalista. Somente depende de como você se relaciona com estas dinâmicas. Se você se prende aos processos produtivos do agronegócio ou entende os limites naturais da vaca ou da terra. Isso nos ensinou a auto-gestão em todas suas escalas. Se não se vive a auto-gestão, não se pode falar dela e não se pode construir na academia. A auto-gestão é estritamente prática a partir da conjuntura econômica, social e cultural que nos atravessa.

 *Tania Fuentes é profissional em sociologia da Universidade Complutense de Madrid, com mestrado em Agroecologia: Um desenvolvimento sustentável da Universidade de Pablo de Olavide. Atualmente é colaboradora e investigadora de Projeto Residir de Projeto Cocuyo.

Editorial para Residir

Con la entrevista a la artista Jimena Andrade y su proyecto Furia y Colmillo, iniciamos esta sección dedicada a proyectos de artistas desarrollados en espacios rurales en América Latina. Para ello presentamos a Tania Fuentes, quien desarrolla esta fase de entrevistas a proyectos y espacios en el contexto rural colombiano. Tania hizo parte de Residencia Cocuyo 2020 junto a Camilo Cuervo conformando la agrupación “Trez del Sur”. Durante este tiempo conocimos su amplio interés en la agroecología, su empatía con las comunidades rurales y el vínculo con el campo del arte en estrecha relación con su formación en la sociología. Paralelamente su trabajo en la fundación “Tres Colibris” y el proyecto desarrollado en la Residencia Cocuyo nos enseñaron su capacidad investigativa y gusto por la escritura. Es por esto que la hemos invitado a formar parte de nuestro equipo para el desarrollo investigativo de la sección Residir.

A finales del 2019 anunciamos este espacio dedicado a la investigación de procesos artísticos en el campo (aquí).  Sin embargo las condiciones del mundo dieron un giro en 2020 con el inicio de la cuarentena global provocada por la pandemia del COVID-19. Desde entonces hemos visto las condiciones humanas en sus dimensiones sociales, económicas y políticas, dando vueltas en una espiral permanente en la que aún permanecemos. Nuestra casa y lugar de trabajo ha sufrido transformaciones como la de todos los ciudadanos del planeta en el último año. Sin embargo los cambios biológicos y ambientales han sido previos y constantes. En nuestro corto periodo de tiempo en la finca, hemos visto cómo los ciclos climáticos son imprevisibles, alterando todas las cosechas. De igual manera nos ha sorprendido la desaparición de amplias zonas cultivables hace treinta o cuarenta años, cafetales que han desaparecido en las bajas alturas por el incremento del clima.

De repente el campo y la agricultura comienzan a recobrar su papel central en la sociedad, un lugar que en nuestro continente se desplazo hacia las ciudades en las últimas tres generaciones. Y esto, en el contexto de Colombia, también ha supuesto una transferencia de los conflictos sociales. La guerra en el país a partir de la segunda mitad del siglo XX tuvo como escenario las montañas y como protagonistas a las pequeñas comunidades rurales que en ellas habitaban. Esto aceleró de forma frenética el poblamiento de las ciudades. Colombia representa después de Siria, el segundo mayor caso de éxodos humanos internos, desplazamientos forzados por conflicto armado en el mundo. Al momento en que escribo hay 43 casos de homicídio y 21 víctimas de violencia sexual parte de hombres de la fuerza pública (fuente: Temblores e Indepaz). Desde el períodico El Espectador, para el 6 de mayo había un registro de 379 personas desaparecidas. Todo en el marco del paro nacional que tiene como epicentro las ciudades de Colombia desde el 28 de Abril. Reivindicaciones históricas están sobre la mesa. Todo en el contexto de una pandemia que es avasallante frente a la política pública, uno de los más bajos índices de vacunación en el continente y una crisis económica sin precedente, en un país que ya presentaba niveles desorbitantes de desigualdad y pobreza.

Caen los monumentos. Nosotros continuamos la cosecha de café mientras procuramos atestiguar mediante nuestros colegas artistas, este giro imparable, la gran ola que empuja a la humanidad hacia el mar profundo de su destino.

En este link encuentran la primera entrevista desarrollada por Tania a Jimena Andrade (click). Traducciones al portugués son realizadas por Ana Tomimori de Proyecto Cocuyo y actual directora de la Residencia Cocuyo.

De antemano agradecemos su lectura,

Lxs saludamos desde el bosque de niebla,

Carlos Felipe Guzmán

Proyecto Cocuyo          

Editorial para Residir (português)

Tradução: Ana Tomimori

                  Com a entrevista a artista Jimena Andrade e seu projeto “Furia y Colmillo”, iniciamos esta seção dedicada a projetos de artistas desenvolvidos em espaços rurais na América Latina. Para ele apresentamos a Tania Fuentes, quem desenvolve esta fase de entrevistas a projetos e espaços no contexto rural colombiano. Tania fez parte da Residência Cocuyo 2020 junto a Camilo Cuervo conformando a agrupação “Trez del Sur”. Durante este tempo conhecemos seu amplo interesse pela agroecologia, sua empatia com as comunidades rurais e o vínculo com o campo da arte em estreita relação com sua formação em sociologia. Paralelamente seu trabalho na Fundação “Três Colibris” e o projeto desenvolvido na Residência Cocuyo nos demostraram sua capacidade investigativa y o gosto pela escrita. É por isso que a convidamos para formar parte da nossa equipe para o corpo investigativo da Seção Residir.

                  Ao final de 2019 anunciamos este espaço dedicado a investigação de processos artísticos no campo. Contanto as condições do mundo deram um giro em 2020 com a início da quarentena global provocada pela pandemia do COVID-19. A partir de ai temos visto as condições humanas em suas dimensões sociais, econômicas e políticas, dando voltas em uma espiral permanente que ainda permanecemos. Nossa casa e lugar de trabalho tem sofrido transformações como a de todos os cidadãos do planeta neste ultimo ano. No entanto as mudanças biológicas e ambientais tem sido prévios e constantes. Em nosso curto período de tempo no sitio, temos visto como os ciclos climáticos são imprevisíveis, alterando todas as colheitas. Igualmente nos surpreendemos o desaparecimento de amplas zonas cultiváveis fazem trinta o quarenta anos, cafezais que tem desaparecido nas alturas baixas pelo incremento do clima.

                  De repente o campo e a agricultura começam a recuperar seu papel central na sociedade, um lugar que em nosso continente se desloco para as cidades nas ultimas três gerações.  E isso, no contexto de Colômbia, também tem representado uma transferência dos conflitos sociais. A guerra no país a partir da segunda metade do século XX teve o cenário nas montanhas e como protagonistas as pequenas comunidades rurais que nelas viviam. Isso acelero de forma frenética o povoamento das cidades. Colômbia representa depois da Síria, o segundo maior caso de êxodos humanos internos, deslocamentos forçados pelo conflito armado no mundo. No momento em que escrevo existem 43 casos de homicídio y 21 vítimas de violência sexual por parte de homens da força pública (fonte: Temblores e Indepaz). Em 6 de Maio o jornal nacional El Espectador, contabilizou 379 pessoas desaparecidas. Tudo dentro da greve nacional que tem como epicentro as cidades da Colômbia desde 28 de abril. Reinvindicações históricas estão sobre a mesa. Todo no contexto de uma pandemia que é avassaladora frente a política publica, um dos mais baixos índices de vacinação no continente e uma crise econômica sem precedente, em um país que já apresentava níveis incomparáveis de desigualdade e pobreza.

Caem os monumentos. Nós continuamos a colheita de café enquanto procuramos testemunhar entre nossos colegas artistas, este giro que não para, a grande onda que empurra a humanidade ao mar profundo de seu destino.

Neste link encontram a primeira entrevista por Tania a Jimena Andrade (click). As traduções espanhol-português são feitas por Ana Tomimori do Projeto Cocuyo e atualmente diretora da Residência Cocuyo.

Agradecemos sua leitura.

Um abraço,

Carlos Felipe Guzmán

Proyecto Cocuyo          

Residir: Furia y Colmillo

Entrevista a Jimena Andrade, gestora del proyecto ‘Furia y Colmillo’

Por Tania Fuentes*.

A través de la voz de la artista colombiana Jimena Andrade conoceremos la experiencia del Proyecto Furia y Colmillo, conformado por la artista y Santiago Andrade Moreno, el cuál tuvo sus inicios en el año 2014 en Guasca, Cundinamarca. Guasca es un topónimo de origen muisca compuesto de dos vocablos: gua ‘sierra’ y shuca ‘falda’. Así que allá, en la falda de la sierra acontecieron los siguientes hechos y aprendizajes. Este proceso ha estado en desarrollo por más de 7 años, y se ha escogido por ser una experiencia icónica que combina la producción agroecológica con productos, procesos y reflexiones en el campo del arte.

Tania Fuentes: ¿Cómo nace Furia y Colmillo? ¿Quiénes iniciaron el proceso? ¿Cuáles fueron las motivaciones?

Jimena Andrade: Furia y Colmillo es un proyecto de autogestión cotidiana, nace después de un proceso trabajando como guardiana de semillas en una huerta comunitaria y agroecológica en Bogotá. Nos fuimos a vivir a Guasca, Cundinamarca. Compramos dos vaquitas y empezamos a hacer lo que hace la gente con la leche. Nos dimos cuenta de la dinámica del agro-negocio y cómo afecta esto. Decidimos transformar la leche para hacer una especie de resistencia a esas industrias y procesadores de lácteos. Hacíamos queso y yogures y vendíamos en Bogotá. Estos productos eran dispositivos pedagógicos que permitían enunciar las diferencias que existen en el consumo de un derivado de una industria láctica y un derivado de un producto artesanal auto-gestionado.

Esto nos mostró la importancia de entender un proceso de autogestión en todas las esferas de la cadena de producción, que incluyen también al consumidor. Y permite pensar acerca de lo que uno está apoyando al momento de comprar estos procesos. En Furia y Colmillo también teníamos una huerta agroecológica, compostaje, humus de lombriz californiana, dos cabritas. Al final del proyecto ya éramos más sofisticados en la producción, se hacía queso fresco de cabra y vaca, queso feta, queso fundido y yogures de cabra y vaca.

Santiago Andrade Moreno, maestro quesero, miembro del proyecto “Furia y Colmillo”.
Imágenes cortesía de Furia y Colmillo. Proyecto interferencia-co.net

TF: ¿Cuál fue el contexto al que ustedes llegaron? ¿cómo fue el proceso para sentirse parte de este territorio?

Esa pregunta es importantísima, teniendo en cuenta que al llegar de Bogotá uno puede ser un agente “gentrificador”, conflictivo y a veces hasta peligroso; en la medida en que se puede pensar que uno va a quitar las oportunidades, o simplemente por ser un extraño. Fue difícil, algunos campesinos son muy conservadores y prefieren al gamonal o al finquero que los explota. Las dinámicas de trabajo colectivo fueron difíciles de crear. Se intentó, y se intentó, y finalmente logramos hacer vínculos con jóvenes y familias que tenían formación política y procesos ideológicos similares a los nuestros. El campesino no es romántico, es complejo, es muy machista. Yo vivía allí con mi hijo, y era digamos la cabeza del proyecto. Soy mujer y para que un campesino te escuche y trate en términos de igualdad es difícil.

TF: ¿Cómo definirías el espacio de creación de Furia y Colmillo? ¿cuál es el vínculo de este proceso con el arte?

Uno podría pensar que los productos que allí realizábamos no tienen nada que ver con el arte. Me acuerdo una vez en una conferencia donde llevé mi quesos, y empezaba la charla vendiendo mis quesos. No por el performance, sino porque mis quesos eran un dispositivo pedagógico para poder entender procesos de autogestión. Eran dinámicas que me hacían entender las distintas formas de producción y cómo uno también se apropiaba de las formas de producción que no tenían que ver con lo que se lee como arte.

Se hacían una serie de dinámicas pedagógicas tomando como pretexto la vida en el campo, la siembra, y esto arrojaba objetos que uno puede leer como artísticos: videos, diagramas, panfletos, folletos. Eran pretextos pedagógicos para poder pensar nuestra práctica artística en distintos escenarios, no sólo como productores estéticos que circulan en la lógica del mercado del arte. Son otras aperturas pedagógicas de resistencia, que vinculan otros actores que no son necesariamente del campo artístico. Por ejemplo, personas que resisten al agro-negocio, en las luchas campesinas. Toda la problemática con la que ahora me vinculo acerca de la implementación de los acuerdos de paz, claramente viene de ahí, los acuerdos pugnan derechos para el campesinado, eso es el 80% de los acuerdos de paz en Colombia.

TF: ¿Cuál es el diferencial que aporta este proyecto en el territorio?

Lo que yo hice en este espacio fue aprender. Uno genera espacios de vínculos, de cosas (…) Pero me he encontrado con gente muy organizada y muy pila. Entonces de ahí a que uno llegue a resolver asuntos tampoco. El artista no es quien resuelve, uno se tiene que resolver a sí mismo la vida porque uno está jodido en el capitalismo. Lo que nos sirve a todos y a todas es comprender que estamos siendo atravesados por estas formas de poder y actuar en la contradicción, porque de lo contrario uno se paraliza. No es tanto lo que yo voy a resolver en el territorio sino cómo voy a mediar con las contradicciones que se me aparecen.

TF: ¿Cuál es el enfoque desde el cuál se abordan los procesos creativos en Furia y Colmillo y de qué tratan?

Yo podría pensar que esto es productivismo de otra manera, actualizándolo a las dinámicas de las luchas campesinas. Es un poco pensarse: ¿cómo se produce desde el campo del arte?, ¿qué se produce?, ¿cómo se activan otro tipo de procesos que no necesariamente se leen como arte?, ¿cómo se interpretan los productos de reflexión a partir de estos dispositivo que no necesariamente se materializan?. Estos quesos, estos yogures, estos derivados son dispositivos pedagógicos y desde ahí se vinculan al campo del arte.

TF: ¿Cómo ves la relación del campo y la ciudad a partir de tu experiencia en Furia y Colmillo?

Aprendimos sobre la temporalidad. La concepción del tiempo en la ruralidad responde a otras lógicas. Uno puede tener esta información por la vía intelectual pero hasta que no se atraviesa esos aprendizajes por el cuerpo no se llega a comprender del todo. Esa idea de que el campo no está atravesado por el capitalismo, que la ciudad está a un lado y el campo en otro, es mentira. La ciudad y el campo son lo mismo en términos de las dinámicas capitalistas. Solamente depende de cómo tú te relacionas con esas dinámicas. Si te ciñes a los procesos productivos del agro-negocio o entiendes los límites naturales de la vaca o de la tierra. Eso nos enseñó, la autogestión en todas sus escalas. Si no se vive la autogestión no se puede hablar de ella y no se puede construir desde lo académico. La autogestión es estrictamente práctica desde la coyuntura económica, social y cultural que nos atraviesa.

* Tania Fuentes es profesional en Sociología de la Universidad Complutense de Madrid con maestría en Agroecología: Un desarrollo sustentable de la Universidad Pablo de Olavide. Actualmente es colaboradora e investigadora en el proyecto Residir de Proyecto Cocuyo.

Convocatoria Residencia Cocuyo 2021

A través del Programa distrital de estímulos del Instituto Distrital de las Artes realice un proyecto de investigación o creación en Residencia Cocuyo, una finca cafetera agroforestal en la zona rural del municipio de Cachipay, Cundinamarca.


RESIDENCIAS NACIONALES EN ARTES PLÁSTICAS

Estímulos categoría: 6. Proyecto Cocuyo, Cachipay, Colombia.

Número de estímulos: 1

Total de recursos: $ 12.000.000

Descripción general de los recursos a otorgar: se otorgará un (1) estímulo de doce millones de pesos ($12.000.000) moneda corriente.


Residencia Cocuyo / técnicas – tecnologías rurales plantea el encuentro con un artista, seleccionado por convocatoria pública, quien habitará por ocho semanas la finca El Cocuy en el municipio de Cachipay, Cundinamarca. Las tecnologías de la información y la comunicación en el campo, de la producción y gestión energética en pequeña escala, las modificaciones y adaptaciones de circuitos y dispositivos electrónicos en el contexto rural, son materias de exploración conceptual en este encuentro. A partir de la experiencia en la agricultura, los artistas que conforman el equipo de residencia, presentarán formas autónomas de trabajo y experiencias que permiten observar el vínculo arte y vida. Para este fin se desarrollan dos talleres que tienen como eje la relación arte, técnica y tecnología rural y dos salidas de campo que permiten conocer el panorama social, económico y cultural de la región. Estas actividades buscan el encuentro y la interlocución entre el artista residente y la comunidad, su economía e historia. Con ello se plantean detonantes para la emergencia de procesos de creación.

Duración de la residencia: ocho (8) semanas consecutivas entre el 1º de septiembre y el 30 de noviembre de 2021

Encuentre toda la información en la página del programa distrital de estimulos: https://bit.ly/31uGxO9

Residir

Hola somos Ana y Carlos de Proyecto Cocuyo. En este mes cumplimos tres años desde que nos fuimos a la montaña. Una serie de circunstancias sumadas a nuestra voluntad, se conjugaron para hacernos salir de las grandes ciudades e internarnos en el campo para vivir. Tuvimos muchas preguntas sobre cómo construir un espacio, una economía, una vida en un lugar completamente desconocido. La rutina y el ambiente social serian desde entonces lugares de experimentación, espacios abiertos, hojas en blanco. Entonces éramos artistas con actividad permanente en el campo del arte contemporáneo. Recientemente habíamos finalizado estudios de maestría en artes visuales en la ciudad de Sao Paulo. La vida en la ruralidad nos obligó a cambiar de prioridades, a alejarnos del sistema del arte y el mundo académico para entrar en el sistema agrario, en el cotidiano de la gestión de una finca cafetera agroforestal (lea aquí el resumen de nuestro primer año).

Siempre en nuestra mente estaba la idea de activar un espacio de residencia artística. Pero en medio de este propósito estaba la demanda diaria, la economía que debíamos levantar de cero. Así aprendimos a cultivar y procesar el café, las naranjas, las mandarinas, los limones, los bananos y a comercializar el producto en la ciudad. El café cocuyo es resultado de estos años de inmersión permanente en la vida agraria. Hemos vivido de sol a sol las tres últimas cosechas cafeteras, sus altos y bajos, sus dramas y alegrías, la satisfacción de trabajar con nuestras propias manos. Continuamos paralelamente la vida en el mundo del arte que se mueve por la inercia de años de trabajo. El ritmo de participación en proyectos y convocatorias se redujo sustancialmente. En estos tres años desde nuestra vereda desarrollamos un proyecto colectivo para una curaduría del 16º Salón Regional de Artistas – Zona Centro, evento que a su vez ayudamos a circular en nuestra región, recibimos la Escuela Flora del espacio Flora Ars+Natura y Carlos instaló un taller temporal para elaborar un proyecto para la exposición Nuevos Nombres del Banco de la República. Una red de espacios rurales, de gestores y pensadores libres se volvieron nuestros amigos [1]. Lentamente fuimos entrando en una comunidad que a su vez interactúa permanentemente con los pueblos a los que pertenece. Nos volvimos parte de un mundo que se inaugura desde hace varios años en los campos de Colombia y otras latitudes. Es una gran familia de personas que crecieron en las grandes capitales y que han decidido radicarse fuera de ellas, en las zonas rurales.

Hemos tomado distancia de nuestro campo de acción principal, del lugar que conocemos, donde nos formamos y crecimos. Y así residimos permanentemente en un lugar periférico, silencioso, pero que a su vez está lleno de una vida exuberante, de una raíz profunda que resuena. Así nos surge una pregunta que queremos responder a partir del testimonio de nuestros colegas, artistas de profesión: ¿Cómo se entienden los procesos de creación en las residencias artísticas? ¿Cómo se define el concepto de “residir” desde el campo del arte?

Para tal fin realizaremos entrevistas a espacios de residencia en entornos rurales, destinados a la creación y circulación de las artes plásticas y visuales en Colombia y América Latina. Publicaremos los testimonios de forma permanente.

[1] Proyectos rurales que conforman la Red de Permacultura del Tequendama.

Campo Abierto: 16º Salón Regional de Artistas Zona Centro

Campo Abierto es una propuesta desarrollada por Ana Tomimori y Carlos Guzmán quienes actualmente conforman Proyecto Cocuyo. Se trata de una publicación que recoge una serie de textos ilustrados que explican acciones y modos de hacer propios de la sociedad rural que habita la Provincia del Tequendama en la región de Cundinamarca. Estas realidades se destacan por su especificidad geográfica, su contexto y relación directa con los artistas quienes actualmente viven la ruralidad desde su casa ubicada en una vereda del municipio de Cachipay. Los gestos propios del campo destacan la capacidad de aprovechamiento de recursos de ciertas sociedades, su nivel de adaptación a un medio agreste y biodiverso así como la pervivencia de conocimientos ancestrales para la resolución de problemas actuales y cotidianos. La sociedad de la información y la alta tecnología se transforman en estas geografías, ganando nuevos matices a través de su mezcla con formas de hacer y conocer propias y específicas de la vida en el campo.

> Descarga publicación “campo abierto” : Lado A, Lado B

Proyecto para el 16º Salón Regional de Artistas Zona Centro. https://16sracentro.com/

 

Entrevista Esféra Pública: Pensar la Escena

Por: Esféra Pública

Con esta entrevista a los artistas Carlos GuzmánAna Tomimori (Revista {emergencia}, Proyecto Cocuyo) concluimos la serie de entrevistas en torno a la crítica en el campo local en la que han participado Ursula Ochoa, Claudia Díaz, Elkin Rubiano, Carlos Salazar, Peio Aguirre, Guillermo Vanegas, Luis Camnitzer y Fernando Escobar.

[esferapública] En un contexto como el actual, donde las redes sociales han multiplicado la posibilidad de opinar libremente sobre todos los temas, ¿como percibe el ejercicio de la crítica en torno a situaciones y eventos del campo del arte?

Carlos Guzmán Bien, para hablar de lo actual me gustaría hacer un recuento desde mi experiencia. En mi etapa de formación universitaria existían pocos espacios de exhibición, pocas instituciones del arte local, una cierta precarización de la práctica artística que aún persiste pero que hace una década era más acentuada. Los artistas vivían un medio y un contexto sociopolítico algo convulsionado, una especie de situación de riesgo. Haciendo memoria de esta primera etapa puedo afirmar que la situación era realmente crítica. Y este nivel critico del contexto alimentaba un debate social intenso que en el arte colombiano se traducía en una centralidad de las prácticas asociadas a la reacción. De allí la emergencia de lo independiente, de los espacios de crítica, de las obras y narrativa del arte colombiano que muchos artistas ya venían construyendo desde los noventa. Existía una pulsión, no sólo de mi juventud y de quienes me rodeaban, de ir contra la corriente de situaciones. De igual forma estos debates y momentos se vivían en relación proporcional al desarrollo de las redes sociales. La red estaba en fase de crecimiento y exploración, mi generación creció bajo la idea del internet abierto y libre. Recuerdo el inicio de “Youtube” en los años en que comenzaba mis estudios universitarios, “Facebook” a mediados de esta etapa. Existían varios buscadores y plataformas que con los años fueron desapareciendo, muchas absorbidas por las grandes corporaciones que se fueron abriendo camino en el mundo virtual. Las leyes de derechos de autor y otro tipo de “policía”, en el sentido que Rancière le confiere en su oposición a la “política”, han reemplazado y transformado espacios de la esfera pública.

Hoy en día no es lo mismo ofrecer una opinión en la web. De antemano sabemos que todo lo que divulguemos, publiquemos, repliquemos, podrá ser utilizado en nuestra contra. Edward Snowden, Wikileaks y un largo etc. de situaciones en la macropolítica, nos hace sentir en el cotidiano que no estamos lejos del mundo propuesto por Orwell en la década del cuarenta del siglo XX. Mientras escribo esto Mark Zuckerberg, creador de la red social Facebook, ha acabado de ofrecer declaraciones al congreso de los Estados Unidos, respecto al papel que esta plataforma ha cumplido en la filtración de datos personales de sus usuarios con fines políticos.

Si bien las redes sociales han multiplicado la posibilidad de opinar libremente, se entiende que el ejercicio de esta libertad está sujeto a los tribunales del Gran Hermano. La inteligencia ahora lleva el ser “artificial” como adjetivo. Se ha creado un nuevo juego de opuestos, se barajan las cartas. Los que crecimos a la par del boom de las redes sociales sabemos que la situación cambia gradualmente. La tendencia indica que los espacios virtuales serán cada vez más controlados, al nivel de muchos espacios públicos que con el tiempo se tornan zonas de lo privado, como la educación, la salud y el agua.

Es por todo esto que los lugares actuales de la crítica son incipientes y poco transitados. El medio del arte local ha superado el que fuera ese umbral del riesgo y los cambios políticos locales y globales, físicos y virtuales, hacen que no todo se exponga abiertamente a través de los medios virtuales. Creo que existe un desplazamiento que aún no percibimos, un sutil movimiento de las comunidades hacia nuevos espacios de encuentro y crítica.

[esferapública] En el campo de las prácticas editoriales independientes que han venido publicando desde hace más de cinco años años (emergencia, esferapublica, Sablazo, etc.) ¿cree usted que se ha dado un relevo en términos de nuevas voces y proyectos?

Carlos Guzmán A la fecha existen pocos espacios de crítica, hace poco surgió el P.C.C – Periódico de Crítica Colombiana que se proyecta como un nuevo lugar para la circulación permanente de temas asociados al campo del arte. Sin embargo es muy reciente y de esta forma no es posible afirmar su impacto a largo plazo. También su formato es conciso y directo lo que facilita la circulación, sin embargo ciertos temas requieren trabajo de largo aliento y profundidad. A largo plazo será interesante observar las dimensiones que puede llegar a tocar. La revista emergencia, proyecto del cual formo parte desde sus inicios, atraviesa actualmente un proceso de revisión y actualización. Esperamos poner a circular nuevamente el material en archivo junto a nuevos temas importantes en el contexto actual. Otros proyectos de largo aliento como Sablazo cumplieron una función importante al mantener discusiones y temas en circulación durante periodos de tiempo importantes, abriendo el panorama hacia otros campos del medio cultural como el cine y la literatura. “Esferapública” es un espacio con el cual se formó una generación de artistas, estos junto a otros que quizás se me escapan, fueron un fenómeno de una serie de iniciativas de gestores, críticos y artistas que pusieron a circular información que alimentó una estructura en crecimiento, que generaron una red de escritores y lectores, un espacio esencial para entender el arte en Colombia. Pienso en estos espacios, incluso en la “Columna de arena” de José Roca, como archivos virtuales que guardan dentro de sí una base muy importante para conocer los diversos cambios y la historia del arte contemporáneo local, en su estrecha relación con los contextos regionales e internacionales.

Creo que sí existen cambios en los espacios de crítica escrita. El más claro es respecto a las figuras que anteriormente alimentaban la escena. Estas voces, quizás por los cambios sociales que devienen en nuevos rumbos personales, ya no protagonizan el debate. Albarracín, Vanegas y Ospina por ejemplo. Creo que ameritaría desde esfera pública abrir el archivo y ver si su contenido puede tener resonancia en el presente. Leer la escena es una iniciativa interesante en ese sentido. Sin embargo el fulgor y el nivel incisivo de ciertas voces creo que estuvieron siempre acompañados de una escena social que impulsaba un movimiento, una brecha importante en la que el conformismo y la pasividad no podían tener un lugar.

Ana Tomimori y Carlos Guzmán

[esferapública] En qué proyectos trabaja Carlos actualmente y de qué forma se relacionan con sus procesos previos?

Carlos Guzmán Esta pregunta quisiera responderla junto a mi compañera del Proyecto Cocuyo, Ana Tomimori. Esta iniciativa conjunta busca la reactivación de un espacio rural que vivió muchos años de embates económicos y sociales. Es una pequeña finca familiar localizada en el municipio de Cachipay, Cundinamarca. Viví en Sao Paulo tres años mientras desarrollaba un proyecto de maestría. Allí, muy lejos de los Andes, me encontré con un rincón de una montaña donde viví algunos años de mi primera infancia. El estado de Sao Paulo fue alguna vez el epicentro de la caficultura mundial y su geografía urbana esconde para mí, pedazos de una memoria que compartimos brasileros y colombianos. Viajar fue de cierta forma un retorno. En las calles de la capital paulista hallé la memoria de mis abuelos, cafeteros de las montañas del Tequendama. Este lugar recoge mi historia que es la historia de un país siempre al borde del abismo, entre ejércitos rebeldes de liberales radicales, de cafetales y monumentos detenidos en el tiempo como el tren y ese mundo rural que es pasado y es presente. Para muchos colombianos la historia comienza allí, en medio de una montaña perdida, selvática y agreste.

Ana Tomimori La historia de las inmigraciones del siglo XX en Brasil tuvieron que ver con el café. Así también he venido de un pasado agrario, del reemplazo de mano de obra esclava para mano de obra de inmigrantes de otros continentes, pasando por complejas cuestiones sociales. Mis bisabuelos y abuelos eran campesinos, pero criaron a mis papas para salir del campo, ir hacia la ciudad en busca de una “mejor vida”, del “progreso”, “la cultura”. Nascí y crecí en la ciudad de Sao Paulo, acostumbrada con la vida urbana, a moverme rápidamente por las calles y a disfrutar los cambios constantes y repentinos de la modernidad. Aunque veraneaba en una finca desde niña, entre un río, arboles, animales y piojos, siempre fui de una ciudad grande. Pero ya hace un tiempo que la cuestionaba, ¿por qué despertar a las 5:30 de la mañana para ingresar al trabajo a las 8:00, tener una hora de almuerzo, salir a las 5:00pm y llegar en la casa a las 7:00 de la noche? ¿Qué horas te sobran para vivir? Y cuando te encuentras con tus amigos ya estas tan cansada que no disfrutas ese tiempo. Como artista también me preguntaba por la cultura, que está en función de esta rutina tan desgastante, aunque existan muchas cosas interesantes, ellas se vuelven anestesia y alivio de este espacio sin tiempo. Ir a la finca e intentar un proyecto acá en Colombia, para mi tiene el propósito de salir de ese movimiento mecánico que envuelve la cultura, intentar comprender si existen otros modos de continuar siendo artista sin estar solamente enfocada en las convocatorias, aperturas de exposiciones, “el progreso” y las miles de novedades diarias. No rechazo lo que esta pasando en la ciudad, en el circuito artístico, el mundo agrario también tiene sus contradicciones y no esta siendo fácil, no tengo respuestas pero me pregunto.

***